terça-feira, 12 de maio de 2009

Sonho de Acreditar. Historia, mais uma de Rui Fernandes

Decorria o ano de 1914, e a Europa começava uma guerra que duraria quatro anos. Esta guerra que começou na Europa, atingiu todo o mundo tornando-se numa Guerra Mundial, a primeira da História.
Pessoas e pessoas foram destinadas a ir para a frente de combate, e maior parte delas não regressou. Uma guerra sem sentido, era o que a população do Mundo dizia, e em grande parte tinha razão. Não só os militares perderam a vida a lutar pelo seu país, mas também se perderam bebes, crianças, idosos… ao virar de cada esquina, uma pessoa poderia dar de caras com um Homem morto. Era o caos nestes países. Alemanha, França, Inglaterra, Rússia… foram alguns dos países que tiveram muitas perdas humanas e materiais.
Ribéry, um idoso que vivia em França, não queria acreditar que o Mundo estava envolvido numa guerra, por coisas insignificantes. Ribéry, era uma pessoa bastante rica, não só em dinheiro mas também, nos seus conhecimentos em Literatura. Tinha dois filhos, quatro netos e era viúvo. Depois de já ter alguma idade, 81 anos, nunca pensou que a Europa e o Mundo pudessem rebentar com uma guerra.
Tinham passado seis meses, e a guerra não tinha fim à vista. Era dia 24 de Dezembro, noite de consoada. Em casa de Ribéry, a consoada não se realizou, era a primeira vez que naquela casa não se festejava a passagem do dia 24 para 25 de Dezembro. A família de Ribéry decidiu não comemorar esta quadra, já que dois dos netos de Ribéry, tinham morrido a lutar pelo país, e sem eles não fazia sentido festejar o Natal.
A família de Ribéry, vivia em Marne, uma cidade que foi fustigada por alemães no inicio da guerra, e que ficou quase destruída.
Ribéry, embora rico teve de passar muitas dificuldades, já que o seu poço de dinheiro tinha sido destruído pela guerra, a Fábrica de chocolates Granate. Uma fábrica com quase 150 anos tinha sido destruída num breve abrir e fechar de olhos. A sua família passou fome, chegando mesmo a roubar lojas de comida que felizmente ainda não tinham sido destruídas.
Era sem dúvida uma Europa, a afundar-se cada vez mais, os pobres estavam cada vez mais pobres e os muito ricos estavam cada vez mais excêntricos.
Uma noite Ribéry deitado solitariamente na sua cama, pôs-se a pensar se algum dia esta guerra poderia acabar. Depois de muito pensar neste assunto e como ainda não tinha sono, foi ver os filhos e os netos aos respectivos quartos, poderia ser a última vez que ele estava a ver as suas jóias. Viu que os filhos estavam a dormir, e um dos netos também, onde estava o outro neto? Ou melhor, a outra neta? O avô olhou para a janela do quarto da neta e aí viu que a esta de seu nome Curie estava a ver as estrelas… O avô ficou triste ao ver a neta a olhar as estrelas, porque visualizar as estrelas numa altura de guerra era sinal de pouca esperança de que a guerra um dia pudesse acabar.
Ribéry, silenciosamente, entrou no quarto de Curie, passo a passo chegou até ela e as suas mãos suaves tocaram no ombro da neta, esta assustou-se, mas ao ver que era o avô, rapidamente, pôs um sorriso na cara e abraçou-o com muita força e foi neste instante que Curie soltou uma lágrima, depois outra e ainda mais uma. O avô aconchegou-a a si, para ela sentir a sua presença.
Depois deste abraço, que se prolongou por alguns minutos, os dois tiveram uma longa conversa, ao som de bombardeamentos a alguns quilómetros de distância e que começou assim:
- Que tens minha neta? Nunca te vi assim tão triste?
- É a guerra avô, já viste, matou tanta gente nestes seis meses e dois deles foram os meus irmãos, achas que a guerra tem algum sentido? Estou farta de ver esta guerra a matar tantas pessoas e que algumas delas eram tão especiais para mim
- Sabes Curie, por vezes os nossos governantes não pensam no seu povo e prejudicam-no. É o que está a acontecer neste momento, a ânsia de conquistar mais territórios ainda irá matar muita mais gente.
- Mas porque é que tem de ser assim? Eu tento sonhar que um dia esta guerra irá acabar, mas não creio que aconteça.
- Tens de continuar a sonhar, e sabes porquê? Porque não há nenhuma guerra que dure para sempre, e um dia, alguém vai ter de dar o braço a torcer.
- Não consigo acreditar nessas tuas palavras, avô. Quem começou esta guerra não tem sentimentos, só quer é dinheiro, dinheiro e ainda mais dinheiro.
- Mas tens de continuar a sonhar que um dia esta guerra irá acabar, promete-me que continuas a sonhar num futuro de paz. Promete-me!
Depois de um momento de reflexão, Curie respondeu:
- Prometo, avô. Um dia vamos poder brincar juntos sem ter de estar com medo de sermos mortos.
Depois desta promessa, a neta e o avô continuaram numa outra conversa e por alguns momentos Curie esqueceu-se da Grande Guerra.
Os anos passaram, 3 anos e meio depois de a guerra começar, Ribéry morre. Não viu a Europa e o Mundo a fazerem as pazes, mas Curie continuava a sonhar que esta guerra iria terminar, brevemente, já que a promessa que tinha feito com o avô ainda estava de pé.
Foi então que a 11 de Novembro de 1918, a guerra termina. Já poucos acreditavam neste desfecho, mas os que acreditavam como Curie ficaram muito contentes. A primeira coisa que Curie fez, foi ir ao cemitério de Marne, e dizer ao seu avô que tinha razão, “uma guerra não dura para sempre…”. Ficou perto da sua campa durante horas, até que se foi embora para junto da sua família que não tinha sido afectada pela guerra. Um clima de festa e paz pairava agora na Europa e no Mundo, era tempo de aproveitar, porque ninguém sabia se estavam livres de uma Segunda Grande Guerra.

Nota: As histórias apresentadas são de autoria de Rui Fernandes, sem a correcção ortográfica de profissionais. Qualquer erro comuniquem-no por via comentário ou e-mail.

1 comentário:

A Coração disse...

Linda história e linda lição de vida a tirar.
Adorei este extrato "O avô ficou triste ao ver a neta a olhar as estrelas, porque visualizar as estrelas numa altura de guerra era sinal de pouca esperança de que a guerra um dia pudesse acabar"