domingo, 1 de março de 2009

Aprendi...

Aprendi. . . .
Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto.
Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.
Eu aprendi… Que posso fazer algo num minuto e ter que responder por isso a vida inteira.
Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão continua a ter duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortarmos em nosso caminho.
Aprendi… Que vai demorar muito para me tornar na pessoa que eu quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu própria coloquei.
Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlada por eles. Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.
Aprendi que perdoar exige muita prática.
Aprendi que nos momentos difíceis a ajuda veio justamente da pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.
Aprendi que posso ficar furiosa, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Que jamais posso dizer a uma criança que os seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia se eu conseguisse convencê-la disso.
Eu aprendi que o meu melhor amigo vai-me magoar de vez em quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não basta ser perdoado pelos outros, eu tenho de me perdoar primeiro.
Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja a sofrer, o mundo não vai parar por causa disso.
Aprendi que as circunstâncias da minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço em adulta.
Aprendi que quando duas pessoas discutem, não significa que estas se odeiem e quando duas pessoas não discutem não significa que se amem.
Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.
Aprendi também que diplomas na parede não me tornam mais respeitável ou mais sábia.
Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito mas para mostrar que são amigos.
Aprendi que certas pessoas se vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Não quero lutar contra o mundo, mas se um dia isso acontecer. Quero ter força suficiente para mostrar a ele que o amor existe… Que ele é superior ao ódio e ao rancor e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu falhar, amanhã será um novo dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e objectivos, talvez obtenha êxito e seja completamente feliz.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… que o amor existe, que vale a pena doar-se às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… E que valeu a pena!!
Aprendi, afinal que é difícil traçar uma linha entre o ser gentil, não ferir as pessoas e saber lutar por aquilo em que acredito.
Há momentos na vida em que nos deveríamos calar e deixar o silêncio falar ao coração, pois há sentimentos que a linguagem não expressa e emoções que as palavras não sabem traduzir.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

"As Últimas Lágrimas por Amor..." Finalmente

As últimas lágrimas por amor

Há muito, muito tempo, ainda os reis da Europa dominavam o seu território de uma forma absolutista, uma jovem do campo preparava-se para casar. Aparentemente nada disto é anormal, mas a jovem de seu nome Cristiana iria casar-se com apenas dezassete anos e o seu futuro companheiro iria ser um dos seus tios, treze anos mais velho que a sobrinha.
Faltava uma semana para o casamento, mas os preparativos para a cerimónia já tinham começado há mais de um mês. Embora Cristiana seja pertencente ao povo, o seu futuro esposo era um homem rico, vivia do comércio, era um dos maiores comerciantes externos da Europa.
Cristiana precisava do essencial para o Matrimónio, o vestido branco como a neve. O que parecia uma dor de cabeça arranjar vestido foi como não tivesse existido, pois o homem rico deu dinheiro mais do que o necessário para fazer o vestido. Para isso, Cristiana teria de ir à cidade encomendá-lo. Assim foi, Cristiana, na manhã seguinte, foi à grande cidade, mais precisamente ao alfaiate. Era a primeira vez que Cristiana ia à cidade.
Cristiana não andava muito feliz, uma jovem que era conhecida por ser muito alegra e extrovertida, andava agora triste, já que ela iria casar contra a vontade. Este casamento já estava programado desde o primeiro dia de vida de Cristiana, não havia amor entre os dois. Mal ela sabia que a ida à cidade, iria mudar a sua vida.
Chegou à porta do alfaiate, mas ao entrar, sentiu um aperto no coração, foi como se ela fosse encontrar a sua alma gémea naquele estabelecimento, ou ela tem poderes de adivinhação ou já estava programado pois mal entrou dentro da casa do alfaiate, os dois apaixonaram-se loucamente.
Falaram pouco, mas aquele era um amor tão impulsivo que o beijo não tardou a acontecer, seis minutos depois de se conhecerem, já estavam aos beijos.
O que poderiam eles fazer para ficarem juntos, já que Cristiana iria casar-se dentro de seis dias?
Henrique espreitava para o interior da loja, um conselheiro do noivo tinha seguido a jovem e ao ver o alfaiate aos beijos a Cristiana, foi logo denunciá-la a Rafael, seu noivo. Rafael incrédulo com tal atitude ficou revoltado.
Os dois apaixonados combinaram encontrar-se no dia seguinte, à mesma hora, no mesmo local. Cristiana foi para casa e fez de conta que nada sabia. O dia passou, melhor, a noite passou, era já dia, estava quase na hora combinada para os dois “pombinhos” se encontrarem.
Ao chegar à cidade, ouviram-se os sinos da igreja central tocar, alguém tinha falecido, mas Cristiana não ficou preocupada, seguiu o seu caminho e chegou à loja. Ao chegar, viu que ali algo de estranho se passava, correu desenfreadamente para a entrada do estabelecimento e viu que o seu amor tinha morrido, alguém o assassinara. Foi um homem a mando de Rafael que o assassinou durante a noite.
Cristiana não acreditava no que lhe estava a acontecer, ainda mal saboreara o amor, já este tinha desaparecido. Ficou destroçada. Chorou, chorou, chorou… mas nada havia a fazer. Passado pouco tempo tomou uma decisão, correu para fora da cidade, dirigindo-se para a montanha, chegada ao topo da montanha gritou bem alto, tão alto que se ouviu nas zonas próximas da montanha.
- Eu não me irei casar com um homem que não amo. Tiraram-me o homem que amei e que ainda amo. Bem sei que sou bastante jovem, mas eu não me voltarei a apaixonar como aconteceu ontem. Irei ter contigo meu amor!
No final deste grito que ecoou por montes e vales, Cristiana fechou os olhos e atirou-se da montanha abaixo. Morreu.
O sol, que estava radiante e ao ver aquele desastre, fugiu e deu lugar à chuva, há quem diga que a chuva era Cristiana a chorar no céu por não ter encontrado o seu amor. Deram à chuva que se prolongou por mais de uma semana sem parar o nome de “As últimas lágrimas por amor”
E quanto a Rafael, o seu destino também estava traçado, morreu quatro anos depois, deixando três filhos de uma outra mulher.
Sempre que chove, as pessoas lembram-se da história de amor entre Cristiana e o alfaiate e aproveitam cada momento da sua vida como se fosse o último e pensam noutro final desta história se ambos não tivessem morrido.
Fim
Rui Fernandes